Li em uma revista de renome nacional que “as redes sociais podem mudar o mundo”. A questão é: como?
Fato: as redes sociais mudaram a forma como nos relacionamos com pessoas e com as informações cotidianas. Ambos os relacionamentos são mais velozes, em maior quantidade e mais líquidos (mais instáveis, superficiais), o que quer dizer que temos a possibilidade de ler um maior volume de informações e de estar em contato com uma quantidade maior de pessoas diariamente, sem nunca haver qualquer tipo de envolvimento com nenhum dos dois. São contatos normalmente superficiais e que se dissolvem rapidamente. Não absorvemos nem um, nem outro. Temos quantidade, mas não qualidade.
Em relações desse tipo, é possível acreditar que as pessoas abracem as causas umas das outras a ponto de mudar o mundo de forma efetiva? Difícil. A tendência é que o volume de informações só ocasione uma revolução de aparências, limitada a opiniões descompromissadas na esfera virtual. Acreditamos que estamos contribuindo para uma mudança real, mas apenas colaboramos para que volume e velocidade das informações cresçam de forma exponencial. Formamos o que Baumann chama de enxame: grupos de pessoas que se reúnem, se dispersam, formam novos grupos, copiando e substituindo o comportamento dos outros, sem nunca entender plenamente pelo que lutam ou para onde caminham. As lideranças são circunstanciais e mudam conforme as ocasiões. Dificilmente emergem vínculos duradouros.
É o que chamo de geração retweet: o mais importante é transmitir a mensagem de que estou sempre envolvido em algum movimento, e não engajar-me de fato. Pouco importa a causa, desde que a aparência seja positiva aos olhos daqueles que me observam.
É obvio que não podemos generalizar. Talvez essa seja uma face sombria das redes sociais que, muitas vezes, acaba nos dominando. Estas ferramentas podem, e devem, ser instrumentos de mudança social, um ponto de encontro de pessoas dispostas a abraçar causas verdadeiras e reais. Estamos diante de um processo muito mais profundo do que um mero avanço nos meios de comunicação. Estamos diante de uma possibilidade de mudança de paradigma social e cultural. Precisamos definir agora qual será nossa postura. E nesse sentido, é bom refletir e evitar os enxames, que aparentemente unem, mas sutilmente tendem a distanciar e separar.